quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Igarapé Água Branca oxigena Bacia do Tarumã.

 

Digitalizar0013 Digitalizar0001 Digitalizar0004 Digitalizar0017 É lamentável assistir todos os dias o avanço da destruição ambiental no ecossistema Tarumã. Os lagos, igarapés e igapós das bacias do Tarumã-Mirim e Tarumã-Açu estão sendo aterrados, assoreados, dragados e contaminados com todo tipo de lixo. Em apenas dois lagos (Tarumã-Açú e Mirim) um volume de água capaz de encher centenas de milhares de piscinas olímpicas está sendo literalmente destruído. De um lado a poluição tóxica do xorume produzido no “Aterro Sanitário” de Manaus. De outro as invasões humanas em áreas de mananciais, alagados, margens de rios e igarapés. Na parte mais urbana o Tarumã já perdeu 7 cachoeiras, milhares de nascentes, cerca de 70% das florestas nativas, a nimais, insetos e quase todos os pequenos igarapés.

No meio deste cenário lamentável de destruição, descaso governamental e até social, nosso pequeno igarapé Água Branca dá seu aviso: ESTOU VIVO! Nosso blog está mostrando e provando que ainda existe vida nativa pulsante em todos os fragmentos de floresta do bioma Tarumã.     199 515 DSC06279 14mar10 picapau amarelo

 

satelite aeroporto florestaruma72 379  O  Igarapé Água Branca nasce no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e avança intacto por mais de 10 quilômetros dentro de uma floresta conservada. Somente na foz, quando ele deságua no já quase extinto igarapé da Cachoeira Alta do Tarumã, a ação humana desfigura nosso Água Branca. A cena é grotesca. Alguém, acim da da Lei, resolveu abrir uma estrada para atravessar um buritizal que ABRIGAVA nascentes e florestas.P1050729      

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Lutando contra todas adversidades, o Água Branca continua vivo. Continua limpando e oxigenando as águas poluídas do recém criado Corredor Ecológico das cachoeiras Alta e Baixa do Tarumã. Continua jogando milhões de litros de água limpa e fria na bacia do Tarumã-Mirim. O resultado pode ser comprovado numa simples pesca noturna no Tarumã-Mirim. Peixes enormes como a piraíba se alimentam dos peixes menores que se criam nos pequenos e raros igarapés ainda vivos.  143

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Imagens de um verão no Tarumã.

Estamos reservando este espaço para um resumo das imagens capturadas durante este verão que castigou o Amazonas e fez do Igarapé Água Branca um verdadeiro refúgio para a fauna e um oásis para flora. Veja o espetáculo de cores e vida e responda: Porque isso tem que desaparecer? Porque ninguém dá valor ao meio-ambiente conservado. O que estaremos deixando para futuras gerações? 
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Eu moro no Igarapé  Água Branca/Tarumã/Manaus/Amazonas/Brasil.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O amazonas real.

  i332343 Digitalizar0013 florestaruma76 O Blog aguabrancaonline foi criado para contar a estória da vida do último igarapé urbano vivo em Manaus, contada por moradores e amigos frequentadores do Igarapé Água Branca, localizado na APA-Tarumã. A nascente principal está intacta, dentro de área florestal protegida pela Infraero. Ao longo de vários quilômetros o igarapé Água Branca está cercado de floresta primária, rica em flora e fauna. Ele deságua no Igarapé da Cachoeira Alta do Tarumã e abriga milhares de espécimes aquáticos.

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Quem acompanha o blog sabe de tudo isso. Durante algum tempo nossas publicações foram interrompidas, por conta de viagens constantes que fazíamos ao interior do amazonas. Testemunhamos vários problemas ambientais que comprometem a qualidade de vida da geração atual e até das futuras gerações. O lixo é problema sério. Rede de esgoto, ninguém sabe nem o que é. Planejamento urbano é quase palavrão. Destinação do lixo, uma loteria. Projetos ambientais com resultados concretos, pode-se contar nos dedos da mão.

246 O clima está completamente desequilibrado. Em muitas regiões as águas estão simplesmente desaparecendo. No rio Solimões comunidades inteiras ficaram completamente isoladas. Para sair ou entrar só caminhando quilômetros pelas margens secas de enormes lagos e igarapés. Muitas cidades sofrem com desabastecimento, racionamento de gêneros alimentícios, combustível e energia elétrica. O apagão é diário.  Mas o pior dos cenários parace que não incomoda tanto os moradores do interior. DSC00310 clima infernalmente quente e abafado está se tornando comum em todas as cidades do interior. Cidades de maior porte como Parintins, Tefé, Eirunepé, Tabatinga, Boca do Acre e São Gabriel da Cachoeira repetem cenários ambientais, embora fiquem localizadas em regiões totalmente distintas. O calor abafado produzido pelas QUEIMADAS  é comum a todas e os danos já são comuns a todas.

Nossas cidades mais distantes, localizadas nas cabeceiras dos grandes rios, ainda contam com a proteção de uma vasta floresta na vizinhança. nestes locais o calor é mais suportável. Os igarapés próximos das cidades estão relativamente preservados e oferecem água boa e constante para o deleite dos moradores. As queimadas locais ocorrem em menor escala, mesmo assim um calor abafado é comum, por causa da fumaça trazidaspelos ventos de outras regiões.

Quanto mais perto de Manaus for a cidade, tanto 001 mais grave é a situação gerada pelas queimadas. Com raras excessões, quase todos os municípios próximos do “grande centro” agridem mais seu meio-ambiente de entorno. Cidades de maior porte, abrigam mais pessoas que acabam invadindo mananciais de água e floresta. Esse avanço urbano desordenado se espalha pela zona rural e centenas de novos roçados surgem da noite para o dia, gerando focos incêndio que se espalham por áreas enormes. Não são grandes as áreas de queimadas. O que é grande é o número delas. Junto com as queimadas vem a destruição de flora, fauna e ecossistemas inteiros,  como os “baixios”, igapós, margens de igarapés e florestas.009

No meio disso tudo fiquei pensando na chance que nosso igarapé tem de continuar atrevidamente vivo! Tamanha ousadia, revela uma história de vida que remonta aos tempos de manaós. Desde lá e até antes, esse milagre chamado Igarapé Água Branca insiste em continuar atenuando o calor dessa cidade desalmada. Talvez o fim dessa estória que passamos a contar apenas no ano passado, revele para o futuro um drama. Ou quem sabe anuncie uma vitória da vida. Sinceramente não sabemos. Sabemos apenas o que queremos… Continuar contando de verdade essa estória, torcendo e trabalhando muito para um final feliz.  Viva o Igarapé Água Branca – Tarumã/Manaus.  saiun

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Amazonas sufoca.

DSC00361  Nos últimos quinze dias percorremos vários municípios localizados nas calhas dos rios Purus, Madeira, Juruá, alto Solimões, alto rio Negro e pelo baixo Amazonas. Voando a 11.000 pés de altitude, deslizando em lanchas  velozes ou percorrendo estradas difícieis, os cenários ambientais que encontramos em todas estas regiões, é muito preocupante. Eirunepé, lá no rio Juruá, sofre com nuvem de fumaça que se espalha pela cidade. Uma bruma quente e densa se forma, deixando a visão turva, escondendo as casas mais distantes.       DSC00310 Essa fumaça, aumenta a sensação de calor, irrita os olhos e dá nos nervos. Como se tudo isso não bastasse, a população ainda sofre ameaça de desabastecimento de combustível, por causa do nível cada vez mais baixo do rio Juruá. O enorme calor abafado, faz o rio baixar num ritmo acelerado. Os moradores já sofrem com o racionamento de combustível. O motivo é a seca acentuada e rápida do rio Juruá. Balsas e embarcações similares não podem subir o rio, que já está muito seco. O pior é que o pico do verão começa agora em setembro. O que se pode esperar?

DSC00364  No alto Solimões a “voadeira” que viajávamos quase subiu numa praia invisível bem no meio do rio. Embora seja um rio largo, já começa a obrigar comandantes de embarcação a navegar pelo canal mais profundo. Praias enormes paracem querer jjuntar margens opostas. Mesma situação no Madeira. Tudo muito seco, quente e enfumaçado. Na região do baixo Amazonas, visitamos Parintins e constatamos que o rio Amazonas ainda não está com nível de seca muito grande. Pequenos lagos que circundam a região da Ilha Tupinabarana, ainda têm água, mas já diminuíram muito de tamanho em relação à quinze dias, quando sobrevoamos a ilha de Parintins.

A fumaça, aumenta sensação de calor, causa doenças respiratórias, inviabiliza a aviação, formando uma barreira de fuligem que para ser superada, obriga os aviões a atingir altitudes superiores 6.000 mil pés. Só a partir daí e muitas vezes até mais, é que conseguimos visualizar o céu limpo e azul do firmamento. Isso é terrível! É como se morássemos numa estufa. Todos respirando ar contaminado, cheio de vírus e substâncias tóxicas DSC00362 em suspensão.

Precisamos parar imediatamente com o fogo que se espalha pelas florestas em todo o Brasil. Aqui no Amazonas os focos são incontáveis. Todo fogo gera fumaça, até mesmo aquele lixinho doméstico. No interior queimar o lixo (normalmente orgânico) do quintal é uma prática corriqueira. Aqui em Manaus, tais gestos se repetem. No interior a maioria das cidades estão cercadas por florestas, rios e igarapés ainda limpos. Aqui o quadro é muito pior. temos apenas fragmentos de florestas conservadas no entorno e quase a totalidade de nossos igarapés estão poluídos. Manaus está se matando. Atitudes paliativas e  muito discurso é o que se vê. Tem tanto encontro prá “discutir” que acaba faltando tempo prá realizar.florestaruma72   Nosso compromisso com o último igarapé vivo da Apa-Tarumã continua de pé. Vamos continuar contando sua história de sobrevivência. Talvez assim o Água Branca consiga mobilizar amigos para preservá-lo. Nosso conto está sendo acompanhado por muita gente no amazonas, no Brasil e pelo mundo afora. Viva Água Branca!